sábado, 25 de fevereiro de 2012

Nós e o planeta.

 Até que ponto nosso planeta suportará a fúria desvairada da intervenção humana? Até que ponto os seres humanos insistirão na sua desmedida necessidade de novos recursos?
 O planeta já dá mostras do desgaste de suas reservas e agora as alterações humanas no ambiente, causadas cumulativamente através dos últimos séculos, demonstram que os "seres inteligentes" da Terra romperam os limites suportáveis para a manutenção da vida de outras espécies em nosso planeta.
 A visão humana de que a natureza serve como simples suporte para as modificações do espaço que abriga a sociedade, causou enormes problemas ao equilíbrio natural. A poluição de rios, oceanos, florestas e a manipulação de compostos e elementos químicos e mais recentemente a manipulação genética, podem num futuro próximo, gerar uma série de reações ainda desconhecidas, já que cada vez mais, interfere-se na máquina planetária sem que se conheça todos os seus complexos mecanismos de funcionamento.
 É absolutamente necessário e prudente que a busca incessante  e voraz  do consumismo e do lucro, seja repensada ou muito em breve um colapso ambiental e social, será inevitável, irreversível e insuportável.

Clairton

sábado, 30 de abril de 2011

Fotos são liberadas para proteger índios ameaçados na Amazônia.

AFP/FUNAI/Survival International – Foto de índios isolados: alerta contra genocídio

BRASILIA (AFP) – O Brasil permitiu a liberação de fotografias raras de uma tribo amazônica não-contatada para chamar a atenção para a condição de povos indígenas em risco de extinção na região.

A FUNAI (Fundação Nacional do Índio) divulgou pelo site da organização Survival International imagens impressionantes de uma tribo isolada, que mostram crianças curiosas e adultos olhando para o céu, com os rostos pintados de vermelho e empunhando arcos, flechas e lanças. A liberação das fotos ocorreu em apoio à campanha da organização para proteger seu território.

A Survival International acompanhou a agência governamental brasileira em um sobrevoo de reconhecimento perto da fronteira do Brasil com o Peru, em abril de 2010. Nas fotos, os índios aparentam boa saúde e têm as cestas cheias de mamões e mandiocas, cultivadas em uma horta comunitária.
"Madeireiros ilegais irão destruir esta tribo. Por isso, é essencial que o governo peruano os impeça antes que seja tarde demais”, alertou o diretor da Survival International, Stephen Corry.
A FUNAI já havia divulgado fotos semelhantes no passado e admitiu que os madeireiros peruanos estão provocando a fuga de indígenas para a fronteira brasileira, em busca de florestas menos afetadas.
O coordenador geral da Coiab , Marcos Apurina, disse esperar que as imagens chamem a atenção para a situação dos povos indígenas e estimulem medidas de proteção.



"É necessário reafirmar que estes povos existem, e apoiamos o uso destas imagens para provar os fatos. Estas pessoas tiveram seus direitos fundamentais, especialmente o direto à vida, ignorados, e por isso é fundamental protegê-las”, afirmou.
A FUNAI afirma que há 67 tribos no Brasil sem nenhum contato com o mundo exterior. Algumas costumam ser chamadas de tribos “não contatadas”, apesar de estabelecerem algum tipo de contato, mesmo limitado
Há um ano, grupos de diretos humanos enviaram uma carta ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, externando o temor de que a própria sobrevivência dos grupos indígenas estava ameaçada.
O último censo no Brasil registrou mais de 500 mil indígenas entre mais de 190 milhões de brasileiros. Entretanto, milhões possuem algum ancestral indígena.
A maioria dos povos indígenas das Américas descende de asiáticos que cruzaram um estreito na Sibéria, entre 13 mil e 17 mil anos atrás. Uma exceção notável são os indígenas da Ilha de Páscoa, no Pacífico, que são de etnia polinésia (Rapa Nui).

Fonte: http://blogs.discoverybrasil.com/noticias







quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sete dicas para pessoas começarem a ser sustentáveis.

Projeto Green Thing dá sete dicas para pessoas começarem a ser sustentáveis
(Por Gisele Eberspächer)

O Projeto Green Thing (Coisa Verde) quer incentivar a sustentabilidade em todo mundo, incentivando e inspirando as pessoas a mudarem seus hábitos. Para isso, dão sete dicas para começar a ter uma vida mais sustentável:

Para cada dica, o projeto Green Thing criou um monstro. O site mostra também vídeos com informações sobre cada ação.

1. Caminhe: use o menos possível de motores e utilize sua própria energia para se locomover. Além de ter uma diferente percepção do local em que vive, a ação vai fazer bem para a sua saúde e não vai emitir gases do efeito estufa.

2. Fique de Castigo: cuidado com viagens de férias. Trajetos feitos de avião emitem grandes quantidades de CO2 e outros gases do efeito estufa. Por isso, planeje com mais calma os roteiros e tente viajar com trasportes alternativos. Além disso, fique mais tempo nos destinos e aproveite o loca, pode ser mais interessante que visitar várias cidades ou países no mesmo período de tempo.

3. Consumir tudo: todos os produtos que utilizamos tem um grande impacto ambiental, que é pior ainda quando o produto não é utilizado até o fim. Por isso, quando não for utilizar mais uma roupa, passe adiante. Ou ache maneiras de transformar alimentos do dia anterior em comidas novas. O importante é não jogar nada fora.

4. Diminua o consumo de carne: a criação de animais para a alimentação consome grandes quantidades de combustíveis fósseis e emite CO2 (mais que a indústria de carros). Por isso, diminua o consumo de carne da sua família e aproveie para descobrir novos sabores.

5. Use calor humano: o aquecimento das casas (mais comum em locais com clima frio) consome energia e emite CO2. Por isso, evite o uso desses aparelhos e se agasalhe melhor – principalmente se for com outras pessoas.

6. Tire da tomada: todos os aparelhos ligados na tomada gastam energia, principalmente os ligados em stand-by. Por isso, deixe todas as tomadas desplugadas e ligue somente quando for usar.

7. Use aquilo que já tem: com a rápida inovação tecnológica, é quase comum pessoas trocarem aparelhos ainda bons por modelos mais novos. Evite o desperdício e use os seus aparelhos o máximo possível.
Fonte: http://atitudesustentavel.uol.com.br/blog

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O pum da vaca e o aquecimento global!

UM TEXTO DE FÁBIO YABU.
Fábio Yabu, é escritor e ilustrador de livros infantis. É criador da série em quadrinhos Combo Rangers, e dos livros infantis Princesas do Mar e Raimundo, Cidadão do Mundo, da Editora Panda Books. Sua série de TV Princesas do Mar é exibida diariamente no Discovery Kids, TV Cultura e em mais 50 países.


É absolutamente constrangedor explicar um ponto de vista sob risadinhas jocosas de gente que não se importa com o mundo à sua volta. Por isso mesmo, quando olham para mim como se eu tivesse uma doença infecto-contagiosa e perguntam “Mas por que você não come carne??” eu simplesmente respondo “porque não” e evito prolongar o assunto.
Resolvi então listar aqui alguns dados que espero que expliquem a decisão que tomei há 3 anos e só trouxe benefícios à minha vida e espero, ao mundo também.

•Seria engraçado se não fosse trágico: os puns e arrotos das vacas são um dos principais agentes responsáveis pelo aquecimento global, que pode levar a nada menos que a extinção da raça humana em menos de 100 anos. Exagero? O cientista James Lovelock acha que não. Lovelock é autor da Hipótese Gaia, controversa teoria que nos anos 80 alertou o mundo para os perigos do aquecimento global.

•Segundo o jornal Valor Econômico, com dados da ONU, a pecuária responde por 18% dos gases causadores do efeito estufa, sendo mais perigosa do que os automóveis. O metano produzido pelos bovinos é 23 vezes mais aquecedor do que o CO2, tido como grande vilão do aquecimento global.

•O 1.4 bilhão de vacas no mundo é responsável por 14 % das emissões de metano na atmosfera. Tem é claro ainda o CO2. Se você come carne, é diretamente responsável por 341 litros de CO2 liberados na atmosfera todo ano. 

•No Brasil existem 195 milhões de cabeças de gado. É mais boi do que gente. Assim, é fácil entender porque quase metade do alimento produzido no país destina-se ao consumo animal. Enquanto isso, 14 milhões de pessoas passam fome. Dá pra fazer piada com isso?

Até 2014 coleta seletiva estará implantada em todo Brasil.

 Em quatro anos, no dia 3 de agosto de 2014, o Brasil estará livre dos lixões a céu aberto, presentes em quase todos os municípios brasileiros. Isso é o que define o artigo nº 54 da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), recentemente regulamentada por Decreto Presidencial, em 23 de dezembro de 2010. Também ficará proibido, a partir de 2014, colocar em aterros sanitários qualquer tipo de resíduo que seja passível de reciclagem ou reutilização.

Isso significa que os municípios brasileiros, para se adequar a nova legislação, terão que criar leis municipais para a implantação da coleta seletiva.

Uma outra data definida na regulamentação da PNRS é quanto à elaboração do Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Pela regulamentação, a União, por meio do Ministério do Meio Ambiente, tem 180 dias de prazo, a contar da publicação do Decreto, para elaborar a proposta preliminar do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, com vigência por prazo indeterminado e horizonte de 20 anos, devendo ser atualizado a cada quatro. A proposta do plano será submetida à consulta pública, pelo prazo mínimo de 60 dias.
Em sua versão preliminar, o Plano de Resíduos Sólidos vai definir metas, programas e ações para todos os resíduos sólidos. Para sua construção, a ser coordenada por um comitê interministerial, será utilizada a experiência e estudos sobre resíduos sólidos já acumulados em 18 estados da Federação.
O Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos, será coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e composto por nove ministérios mais a Casa Civil e a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

Logística reversa - De acordo com o texto do Decreto, logística reversa é o instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado pelo conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.

A regulamentação definiu como se dará a responsabilidade compartilhada no tratamento de seis tipos de resíduos e determinou a criação de um comitê orientador para tratar destes casos específicos. São eles: pneus; pilhas e baterias; embalagens de agrotóxicos e óleos lubrificantes além das lâmpadas fluorescentes e dos eletroeletrônicos. O comitê orientador vai também definir cronograma de logística reversa para um outro conjunto de resíduos que inclui as embalagens e produtos que provoquem impacto ambiental e na saúde pública.

Os instrumentos para operar os sistemas de logística reversa são: acordos setoriais; regulamentos expedidos pelo Poder Público; ou termos de compromisso.

O Secretário de Recursos Hídricos de Ambiente Urbano (SRHU) do MMA, Silvano Silvério, explica que pela nova lei, o cidadão passa a ser obrigado a fazer a devolução dos resíduos sólidos no local, a ser previamente definido pelo acordo setorial e referendado em regulamento, podendo ser onde ele comprou ou no posto de distribuição. Segundo ele, a forma como se dará essa devolução, dentro de cada cadeia produtiva, será definida por um comitê orientador, a ser instalado ainda no primeiro semestre de 2011.

Atualmente, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabelece, por meio de Resolução, os procedimentos para o descarte ambientalmente correto de quatro grupos de resíduos. São eles: pneus(Resolução 416/2009); pilhas e baterias (Resolução 401/2008); óleos lubrificantes (Resolução 362/2005); e embalagens de agrotóxicos (Lei nº 7.802/1989). Os acordos setoriais ou os termos de compromisso servirão para revalidar ou refazer os que está definido nas resoluções e leis em vigor.

Embalagens - A novidade que a regulamentação traz é a obrigatoriedade da logística reversa para embalagens. O secretário explica que é possível aplicar o procedimento para todo o tipo de embalagem que entulham os lixões atualmente, inclusive embalagens de bebidas. Ele relata, inclusive, que o Ministério do Meio Ambiente já foi formalmente procurado pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) para informar que estão aptos a fazer a coleta de óleos lubrificantes. O MMA foi também procurado pela Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro) que demonstrou interesse em implantar a logística reversa em embalagens de vidro.

Segundo ele, existem duas formas de se fazer a logística reversa para embalagens. Uma, de iniciativa do setor empresarial, que pode instituir o procedimento para uma determinada cadeia. A outra, de iniciativa do Poder Público. Neste caso, o primeiro passo é a publicação de edital, onde o comitê orientador dá início ao processo de acordo setorial. No edital estarão fixados o prazo, as metas e a metodologia para elaboração de estudos de impacto econômico e social.

Os acordos setoriais são atos de natureza contratual firmados entre o Poder Público e os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes visando à implantação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto.

Depois de definidas as bases do acordo setorial, os setores envolvidos no processo de logística reversa definem como pretendem fazê-lo. A proposta é levada ao Governo Federal para análise. Estando em acordo ao que estabelece o edital, a proposta é acolhida e homologada via Comitê Orientador. A partir de então, o processo de logística reversa começa a ser implementado. O Governo Federal pode transformar o acordo em regra nacional por meio de regulamento..

O processo vale para os eletroeletrônicos. A partir do momento em que o Comitê Orientador definir o processo de logística reversa, ficará determinado onde o cidadão deve devolver seu resíduo. Silvano Silvério informa que o comitê orientador estabelecerá, por edital, o início dos acordos setoriais.

Catadores - A regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) dá atenção especial aos catadores de materiais recicláveis. Está definido, por exemplo, que o sistema de coleta seletiva de resíduos sólidos e a logística reversa priorizarão a participação de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis constituídas por pessoas físicas de baixa renda.
Determina também que os planos municipais de gestão integrada de resíduos sólidos definam programas e ações para a participação dos grupos interessados, em especial das cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis também constituídas por pessoas físicas de baixa renda.
Diretrizes - A Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em agosto de 2010, contém as diretrizes para a gestão, o gerenciamento e o manejo dos resíduos sólidos. Ela também incentiva os fabricantes a adotar procedimentos adequados à produção de produtos não agressivos ao ambiente e à saúde humana e à destinação final correta dos rejeitos da produção.
Sua aprovação representou um amplo consenso envolvendo todos os atores que fazem parte dos mais diversos ciclos da produção de resíduos sólidos no Brasil.
Ela trata de temas amplos e variados que fazem parte do dia-a-dia das pessoas, envolvendo conceitos como área contaminada, ciclo de vida do produto, coleta seletiva, controle social, destinação final ambientalmente adequada, gerenciamento de resíduos, gestão integrada, reciclagem, rejeitos, responsabilidade compartilhada e reutilização.

A nova política é clara em definir de que forma se dará o gerenciamento dos resíduos, indicando inclusive sua ordem de prioridade que será a de não-geração, a de redução, reutilização, reciclagem e tratamento de resíduos. A nova política cria também um sistema nacional integrado de informações sobre resíduos sólidos. O sistema será responsável por recolher e divulgar informações com rapidez e qualidade.

domingo, 3 de abril de 2011

TERREMOTOS E AS ESCALAS PARA COMPREENDÊ-LOS.

  (Escalas de Mercalli e de Richter)

Podemos medir a magnitude de um abalo sísmico por meio de escalas, como a de Mercalli e a de Richter. A escala de Mercalli mede a intensidade dos terremotos pelos seus efeitos, enquanto a escala de Richter mede sua magnitude pela energia liberada. A Escala Richter, é logarítimica e por esse motivo podemos dizer  que, cada um de seus graus tem 10 vezes mais intensidade que o anterior (vai de 0 até 10 graus).O maior terremoto já registrado aconteceu em 1960, no Chile, e atingiu 8,9 pontos na escala de Richter.




NA ESCALA RICHITER:
Descrição /  Magnitude    (Efeitos)    Frequência

Micro / 2,0 (Micro tremor de terra, não se sente) ~ 8000 por dia

Muito pequeno / 2,0-2,9 (Geralmente não se sente mas é detectado/registado). ~1000 por dia

Pequeno / 3,0-3,9 (Frequentemente sentido mas raramente causa danos). ~49000 por ano

Ligeiro / 4,0-4,9 (Tremor notório de objetos no interior de habitações, ruídos de choque entre objetos. Danos importantes pouco comuns). ~ 6200 por ano

Moderado / 5,0-5,9 (Pode causar danos maiores em edifícios mal concebidos em zonas restritas. Provoca danos ligeiros nos edifícios bem construídos). 800 por ano

Forte / 6,0-6,9 (Pode ser destruidor em zonas num raio de até 180 quilômetros em áreas habitadas). 120 por ano

Grande / 7,0-7,9 (Pode provocar danos graves em zonas mais vastas). 18 por ano

Importante  / 8,0-8,9 (Pode causar danos sérios em zonas num raio de centenas de quilômetros). 1 por ano

Excepcional / 9,0-9,9 (Devasta zonas num raio de milhares de quilômetros). 1 a cada 20 anos

Extremo / 10,0 (Nunca registado). Extremamente raro Desconhecido

MILTON SANTOS, O GRANDE NOME DA GEOGRAFIA BRASILEIRA E MUNDIAL.

O militante de idéias

Geógrafo Milton Santos criticou a globalização mas acreditava em transformação social
        
por: Raquel AguiarCiência Hoje/RJ - dezembro/2001
      
"O sonho obriga o homem a pensar"Milton Santos



Milton nasceu em Brotas de Macaúbas (BA) a 3/5/26 e faleceu emSão Paulo a 24/6/01 (foto: Oswaldo J. dos Santos/Agência USP)
      
Milton Santos (1926-2001) é considerado o maior geógrafo brasileiro pelos colegas de profissão. O professor de voz calma e olhar tranqüilo sublinhou o aspecto humano da geografia e criticou a globalização perversa. Via na população pobre o ator social capaz de promover uma outra globalização, que defendeu em livros e conferências pelo mundo.
Milton introduziu importantes discussões na geografia, como a retomada de autores clássicos, e foi um dos expoentes do movimento de renovação crítica da disciplina. Preocupado com a questão metodológica, construiu conceitos, aprofundou o debate epistemológico e buscou na transdisciplinaridade uma visão totalizadora da sociedade.
Esquerdista convicto, não se filiou a partidos: "não sou militante de coisa alguma, apenas de idéias", diz em uma de suas frases mais divulgadas. O estilo independente revela a influência sartreana desse brasileiro que se celebrizou na França, onde obteve o doutorado e lecionou durante a ditadura.
Apesar da complexidade de seu pensamento, o alcance das idéias de Milton pode ser medido pela repercussão de uma entrevista concedida ao programa Roda Viva em 1998: os telefones ficaram congestionados com pessoas emocionadas, agradecendo a emissora pela transmissão. Sua produção acadêmica não permite modéstia: são cerca de 40 livros e 300 artigos científicos. Foi o único estudioso fora do mundo anglo-saxão a receber o mais alto prêmio internacional em geografia, o Prêmio Vautrin Lud (1994). Considerada equivalente ao Nobel na Geografia, a láurea marcou o reconhecimento de suas idéias no Brasil.
        



(foto: Jorge Maruta/Agência USP)
          

Milton foi consultor da Organização das Nações Unidas, da Unesco, da Organização Internacional do Trabalho e da Organização dos Estados Americanos. Também foi consultor em várias áreas junto aos governos da Argélia, Guiné-Bissau e Venezuela. Possuía 13 títulos de doutor honoris causa, recebidos no Brasil, França, Argentina e Itália, entre outros. Foi membro do comitê de redação de revistas especializadas em geografia no Brasil e exterior. Fez pesquisas e conferências em mais de 20 países, dentre eles Japão, México, Índia, Tunísia, Benin, Gana, Espanha e Cuba.
Recebeu em 1997 o prêmio Jabuti pelo melhor livro em ciências humanas: A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. Em 1999 recebeu o Prêmio Chico Mendes por sua resistência. Foi condecorado Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico em 1995. Hoje, o geógrafo tantas vezes laureado empresta seu nome ao Prêmio Milton Santos de Saúde e Ambiente, criado pela Fundação Oswaldo Cruz.
Milton Santos nunca participou de movimentos negros -- acreditava que deveriam conquistar reconhecimento em atitudes como, por exemplo, ingressar na universidade. "Minha vida de todos os dias é a de negro", declarou. "Mantenho com a sociedade uma relação de negro. No Brasil, ela não é das mais confortáveis."
           
Geógrafo precoce
Embora formado em direito, Milton Santos começou a lecionar geografia aos 15 anos



              



(foto: Oswaldo José dos Santos/Agência USP)
             

Milton de Almeida Santos nasceu em Brotas de Macaúbas no sertão baiano dia 3 de maio de 1926. Seus avós maternos eram professores primários mesmo antes da abolição. "Do lado paterno, devem ter sido escravos", declarou certa vez. "Não sei muito bem porque em minha casa me ensinaram a olhar mais para frente do que para trás." Seus pais também eram professores primários, uma família "humilde mas não pobre, e que tentou me dar uma educação para mandar, para ser um homem que pudesse, dentro da sociedade existente na Bahia, conversar com todo mundo". 
Concluiu o curso primário em casa aos oito anos de idade. Como faltavam dois anos para ingressar no ginásio, seus pais lhe ensinaram álgebra, francês e boas maneiras. Aos dez anos tornou-se aluno do tradicional Instituto Baiano de Ensino em Salvador. Pagava o internato onde moraria por uma década com o dinheiro que recebia lecionando geografia na própria escola. Milton atuou no jornalismo estudantil e foi um dos criadores da Associação de Estudantes Secundaristas Brasileiros. Seus colegas se opuseram à candidatura de um negro para presidente -- alegaram a dificuldade para discutir com autoridades. "E eu, menino, tolo e inexperiente, acabei perdendo a eleição."
Milton era ótimo aluno em matemática e queria seguir engenharia, mas acreditava-se que a Escola Politécnica não aceitaria negros com facilidade. Como um tio seu era advogado, foi aconselhado a estudar direito. Formou-se na Universidade da Bahia em 1948 mas nunca exerceu a profissão. Dedicou-se à geografia, que ensinava desde os quinze anos. "A noção de movimento de idéias veio depois, mas a das mercadorias, das coisas, das pessoas talvez tenha me levado para a geografia", declarou. Também foi fundamental o contato com o livro Geografia Humana, de Josué de Castro. "Era uma espécie de história contada através do uso do planeta pelo homem. Aquilo me impressionou."
Em 1948 Milton Santos publicou seu primeiro livro: O povoamento da Bahia. Prestou concurso público para professor secundário e foi lecionar em Ilhéus. Nesse período conheceu livros e revistas de geografia, alguns da Associação Brasileira de Geógrafos (AGB), então concentrada no eixo Rio-São Paulo. Milton resolveu participar de uma reunião da AGB, que acontecia em Uberlândia (MG), para perplexidade dos não mais de 30 profissionais reunidos. Nessa ocasião conheceu Aziz AbSáber, de quem se tornaria amigo. AbSáber recorda-se que Milton insistia em discussões teóricas entre determinismo e possibilismo enquanto problemas analíticos estavam em pauta. "Demos risada, mas ele era simpático e inteligente, eu e alguns professores nos aproximamos dele."
Milton passou a convidar professores de geografia paulistanos para dar conferências e cursos de férias aos alunos da Universidade Católica de Salvador, onde atuou entre 1956 e 1964. Também era correspondente na região do cacau para o jornal A Tarde, o mais lido na Bahia à época.
               
Cidadão do mundo
Exílio voluntário afastou Milton de questões empíricas e ampliou debate teórico
       


Azis Nacib Ab Sáber

Numa poltrona do Hotel Nacional de Salvador Milton Santos recebeu um conselho que talvez tenha selado seu futuro. O amigo Aziz AbSáber (foto) acreditava que, como ele próprio fizera, Milton se dedicava demais a questões teóricas. Aconselhou-o a se ater à análise -- estudo de casos e regiões. À questão de Milton sobre que tema abordar, AbSáber deu uma resposta fundamental para a projeção do colega: por que não estudar o centro urbano de Salvador?
Junto a um grupo de universitários e um professor paulistano, Milton empreendeu a pesquisa sobre Salvador, que redigiu e apresentou com sucesso como tese de doutorado na Universidade de Estrasburgo (França) em 1958. De volta ao Brasil, permaneceu na Universidade Federal da Bahia (UFBA) onde fundou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais.


Acompanhou o presidente Jânio Quadros em viagem a Cuba como jornalista e foi nomeado representante da Casa Civil na Bahia, com poder paralelo ao do governador. Despedido da UFBA à época do golpe de estado, Milton esteve preso por 3 meses em um quartel de Salvador, onde agressões físicas quase lhe custaram um olho. Só foi libertado após um princípio de infarto.
Partiu para o exterior a convite de amigos franceses. Por 13 anos lecionou na França, Canadá, Reino Unido, Peru, Venezuela, Tanzânia e EUA. Segundo o próprio Santos, o "exílio voluntário" afastou-o do Brasil -- até então objeto principal de seus estudos, que eram sobretudo empíricos. O interesse por questões teóricas cresceu até o retorno ao Brasil em 1977.
           



Milton diante do prédio de geografia e história da USP, onde ingressoupor concurso em 1983 (foto: Jorge Maruta/Agência USP)
            

Um de seus maiores desejos era tornar-se professor na Universidade de São Paulo (USP), onde ministrava aulas como visitante. AbSáber lecionava na USP e garante ter feito o que pôde para satisfazer a vontade do baiano. Milton só ocuparia uma vaga após a aposentadoria de AbSáber. Ao se aposentar compulsoriamente aos 70 anos -- fato que o contrariou --, tornou-se o primeiro negro a obter o título de professor-emérito da USP. No seu aniversário, geógrafos de vários países participaram de um simpósio organizado pela professora Maria Adélia de Souza, que reuniu os depoimentos na obra Cidadão do Mundo.
Milton Santos faleceu aos 75 anos a 24 de junho de 2001 após uma semana de internação em decorrência de um câncer de próstata diagnosticado em 1994. Desde então, o professor intensificara seu trabalho. No ano em que faleceu publicou O Brasil, obra que considerava síntese de suas idéias. Preparava um livro sobre Salvador, que reuniria pesquisas feitas na juventude e reflexões recentes. Estruturava também O mundo pós-globalização - o período popular da história.
Milton deixou esposa -- Marie, uma aluna francesa dos tempos da Sorbonne -- e filho -- Rafael, que nasceu pouco após o falecimento do primogênito Miltinho. Na 53a reunião da SBPC, em julho de 2001, estava programada uma homenagem ao professor, mas a idéia foi abandonada com a notícia de seu falecimento. Inconformado, AbSáber convocou alunos e amigos para realizar uma homenagem improvisada mas emocionante.
           
Contra o globalitarismo
Pobres seriam o agente político da nova globalização proposta por Milton Santos
"Essa globalização não vai durar. Primeiro, ela não é a únicapossível. Segundo, não vai durar como está porque como está émonstruosa, perversa. Não vai durar porque não tem finalidade."Milton Santos

      



(foto: Oswaldo José dos Santos/Agência USP)
    

No livro Por uma outra globalização - do pensamento único à consciência universal, Milton Santos observa a globalização sob três óticas: como fábula, perversidade e possibilidade para o futuro. A fábula é propagada por Estados e empresas, que colocam a globalização como fato inevitável. A imposição desse "pensamento único" naturaliza o caráter perverso do fenômeno e constitui o que Milton chamava "violência da informação". A perversidade da globalização se revela na medida em que seus benefícios não atingem sequer um quarto da população mundial, ao custo da pauperização de continentes inteiros. Vista como possibilidade para o futuro, ela passaria a empregar as técnicas de forma mais solidária, de modo a derrubar o globalitarismo -- termo cunhado por Milton que agrega ao conceito de globalização a noção de totalitarismo.
As maiores empresas atingem somente os pontos competitivos do território e trazem desordem para o resto, formando o que Milton chamava zonas opacas e zonas luminosas. As empresas exigem do Estado o aparelhamento das áreas privilegiadas para que se adeqüem aos imperativos técnicos, mas uma adaptação das leis também se faz necessária. Assim, as empresas acabam por ditar a política nacional. O país se torna "ingovernável" porque nem o Estado nem as empresas assumem o controle total. O território acaba esquizofrênico, porque nele existem vetores da globalização, que impõem uma nova ordem, e vetores da contra-ordem, baseada na exclusão social.
A globalização paradoxalmente incita à violência, por exigir competitividade sem ética, e também incentiva a solidariedade mundial a partir da facilidade de comunicação. Cabe aos intelectuais propagar a realidade contraditória do território e oferecê-la à reflexão da sociedade.
Na luta por uma outra globalização, Milton Santos correu o mundo participando de debates. Esteve presente no Fórum Social Mundial de Porto Alegre em 2001 -- encontro que se contrapôs ao fórum econômico de Davos, na Suíça.
              
Uma teoria do Brasil
Última obra de Milton Santos sintetiza a realidade nacional diante da globalização
        

O Brasil: território e sociedade no início do século XXI foi a última obra de Milton Santos, escrita com a professora María Laura Silveira. "Esse livro reúne todo o estudo de geografia que venho fazendo e tenta aplicá-lo ao Brasil", o geógrafo declarou por ocasião do lançamento. "É o resultado de pelo menos 25 anos de elaborações teóricas."
O Brasil oferece visão totalizadora do país; apesar das mais de 500 páginas, não pretende ser um compêndio exaustivo da geografia nacional. Segundo o professor, o livro não se dirige apenas a cientistas humanos, mas pretende atingir o grande público. O livro realiza uma teoria do Brasil a partir do território e busca redefinir, diante da globalização, as relações entre terra e gente.
Em geografia, o conceito de território considera seu uso: é o conjunto indissociável de sistemas naturais -- substrato físico -- e instrumentos materiais impostos pelo homem. 
No livro de Santos, o país é analisado de forma teórica e empírica sob viés multidisciplinar. Dados sobre o Brasil e o brasileiro -- concentração de bancos, shopping centers, meios técnicos, como se trabalha, gasta, planta -- foram levantados por uma equipe de 20 pesquisadores e apresentados em mapas. Milton Santos se orgulhava do fato de a pesquisa não ter sido arquivada em computadores: está armazenada na Universidade de São Paulo, em dezenas de caixas de papelão etiquetadas.
No livro, os autores mostram a transformação do território brasileiro a partir do meio natural, quando a natureza comandava as ações do homem, e analisam os sucessivos meios técnicos que promoveram a mecanização tradicional de ilhas dentro do território. O meio técnico-científico-informacional surge na década de 1970 e se concentra nas áreas privilegiadas no período anterior, o que acentua as desigualdades territoriais. Assim, surgem áreas de globalização absoluta e relativa, o que gera espaços que mandam e espaços que obedecem.
         



Divisão do Brasil em regiões segundo a difusão da informação
      

Atualmente a informação fundamenta o trabalho e orienta sua divisão global e local. Os autores sugerem uma divisão do Brasil em quatro regiões, baseada na difusão da informação. No nordeste, a rede fundiária concentrada impõe resistência às novas técnicas informacionais. O centro-oeste e região amazônica, como não possuíam o meio técnico tradicional do período anterior, estão abertos para as novas técnicas. Na região concentrada houve simplesmente a agregação das inovações técnicas, em paralelo a uma crise da indústria.
A globalização é o momento da ocupação do território brasileiro que mais acentuou as desigualdades sociais e as diferenças regionais brasileiras. A concentração do meio técnico-científico-informacional dificulta o acesso a bens e serviços e gera vazios de consumo representados pela pobreza, sobretudo urbana, que reúne todo o conteúdo explosivo do território hoje.      

aldeia global: preferia dizer que o mercado nacional é o nome de fantasia do mercado global. O geógrafo também rejeita a noção de desterritorialização. Para ele, a globalização tornou o território ainda mais importante porque a concentração da tecnologia de informação e comunicação diferencia os espaços em função de sua capacidade produtiva.

Milton acreditava que os pobres seriam o agente político dessa nova globalização, sobretudo nas cidades onde há pessoas de todos os tipos e intenso debate. Os pobres passam pela experiência da escassez, conceito resgatado do escritor francês Jean-Paul Sartre: o mundo dos objetos se amplia e o pobre descobre que jamais vai possuí-los. A classe média se acomoda com o conforto do consumo -- que substitui a cidadania e amortece a opinião pública --, mas já experimenta a escassez. Como possui maior instrução, pode vir a deflagrar o movimento social que transformaria a globalização.

Quem sou eu

Minha foto
Licenciado em Geografia, Administrador e Baterista. Atualmente trabalhando no ensino fundamental, médio, cursos pré vestibulares e concursos.